A Rainha e as Águas-Marinhas: O Legado Brasileiro na Coroa Britânica

Por que esse conjunto (parure) de pedras do Brasil se destacou tanto na coleção da Rainha Elizabeth II? A monarca usou as peças em inúmeras ocasiões ao longo de 60 anos e especialistas afirmam ser um de seus prediletos.

Patrícia Aguiar

4/16/20263 min read

A coleção de joias da Família Real Britânica é composta por peças vindas de todos os cantos do mundo, mas poucas têm uma origem tão vibrante e única quanto o Conjunto de Águas-Marinhas do Brasil.

O que começou como um presente de coroação tornou-se uma das raras adições pessoais que a Rainha Elizabeth II fez à sua coleção oficial, criando um conjunto que ela usou com orgulho por mais de seis décadas.

1. O Presente de 1953: Um Gesto de Getúlio Vargas

Em 1953, por ocasião da coroação de Elizabeth II, o então presidente Getúlio Vargas, em nome do povo brasileiro, decidiu presentear a jovem monarca com algo que representasse a riqueza mineral do nosso país.

O presente consistia em um colar e um par de brincos monumentais. As pedras, extraídas de Minas Gerais, foram selecionadas por sua pureza e pelo tom azul intenso (conhecido como "azul Santa Maria"), levando quase um ano para serem devidamente combinadas e lapidadas pela joalheria Mappin & Webb.

2. A Evolução da Tiara: O Toque Pessoal da Rainha

Diferente de muitas joias que a Rainha herdou, esta coleção foi sendo construída por ela. Elizabeth II se encantou tanto com a cor das pedras que, em 1957, encomendou à joalheria Garrard a confecção de uma tiara para completar o conjunto.

A Primeira Versão: Era simples, com três águas-marinhas verticais em uma base de platina.

A Reformulação de 1971: Com o passar dos anos, o Brasil continuou presenteando a Rainha com mais gemas (uma pulseira e um broche em 1958, e mais pedras soltas em 1968, durante sua visita oficial ao país). A Rainha então decidiu que a tiara precisava de mais imponência. Ela substituiu os três elementos frontais por quatro novos ornamentos maiores, criando a silhueta opulenta que conhecemos hoje.

3. Por que essas joias eram tão especiais?

Especialistas em joalheria real costumam destacar que Elizabeth II tinha uma predileção por este conjunto por dois motivos principais: O azul das águas-marinhas brasileiras era considerado perfeito para destacar a cor dos olhos da Rainha.

Modernidade: Ao contrário das tiaras do século XIX, pesadas e repletas de história familiar complexa, o conjunto brasileiro era "dela", encomendado sob seu gosto pessoal, refletindo sua própria era como monarca.

4. O Último Registro e o Futuro das Peças

A última aparição pública notável da Rainha usando o conjunto completo foi em 2017, durante o banquete de Estado para o Rei da Espanha. A imagem da monarca, já nonagenária, adornada com o brilho azul intenso das terras brasileiras, reafirmou a imortalidade daquela escolha de Getúlio Vargas décadas antes.

Agora, com o reinado de Rei Charles III, essas peças residem no cofre real. Como são joias que pertenciam à coleção pessoal de Elizabeth II, é provável que vejamos a Rainha Camilla ou a Princesa de Gales, Catherine, utilizando-as em eventos futuros, mantendo viva a conexão entre o Brasil e o Palácio de Buckingham.

Que tal ver essas preciosidades de perto?

Se você se fascinou com a história dessas joias, saiba que é possível ver o esplendor da coleção real pessoalmente! Muitas das peças mais icônicas da monarquia ficam em exibição pública na lendária Torre de Londres, um dos monumentos mais fascinantes do mundo.

A melhor notícia? No nosso intercâmbio, a visita à Torre de Londres é parte do roteiro! Além de mergulhar na história britânica e praticar o inglês em um ambiente épico, você tem a chance de ver de perto onde ficam guardados os tesouros que marcaram séculos de tradição.